domingo, 31 de março de 2013

Ninguém capitou Capitu.

Perdi o sono. Perdi a hora. Perdi a noção do tempo espaço após olhar para dentro de mim.
 Há tantas essências tão bonitas pelo mundo. Há tantas gargalhadas e silêncios vitais espalhados pela humanidade. Tanta insanidade e tanta pressa que me dá vontade de me jogar no abismo da absoluta loucura que existe no universo. Por isso desejo conhecer todas culturas, todas crenças, todas danças, todos cantos.
 Nunca fui presa em mim. Nunca consegui ser fechada. Sei que existem pessoas que são obras desconhecidas de Almodóvar. Livros nunca escritos de Jack London. Acordes de rock'n roll. Samba de Noel Rosa. Poesia de Vinícius. Traços de Frida Kahlo. Há pessoas que são como palavras bonitas. Doces favoritos. Salgados memoráveis. Destilados envelhecidos. Viagens inesquecíveis. Arquiteturas fantásticas. Existem seres humanos que são como filosofia budista. Coragem anarquista. Pacifismo de Gandhi. Barricadas de Bakunin. Existem pessoas coisificadas em significados maravilhosos, não palpáveis e não esquecidos.
 E eu, oras, eu não me fecho em mim porque sou como uma interrogação sem resposta. A droga de uma interrogação sem resposta!
Como Capitu.

quarta-feira, 27 de março de 2013

Das coisas mais lindas do meu mundo.

Desejo tantas coisas ultimamente. Tantas coisas doces com gosto amargo. Tantas apunhaladas de felicidade no meu peito. Coisas que deixarão saudades antes mesmo de acabarem. Desejo o mal humor repentino de papai. O abraço forte de mamãe. O gosto do vinho barato tomado no meio da rua fria com meu amigo. O cigarro sendo a única coisa quente nos becos daquela cidade tão desgastada. Observar o céu atrás de uma velha trilha de trem. Lamentar melancolias e rir ao mesmo tempo. 
 Desejo dançar na garagem daquela casa em frente ao cemitério. Gritar querendo acordar os mortos. Correr no meio da rua vazia e dançar até meus pés se desequilibrarem com meu corpo jogado em qualquer canto. Tomar cervejas e mais cervejas e querer mais. Esperar a padaria abrir para comprar pão e tomar o café dos meus pais para ir dormir depois. 
 Sair pelo centro que nunca me emocionou e conversar com todos vendedores mais legais das barraquinhas. Sentar com mendigos. Fazer piadas e parecer uma bêbada rindo da cara de uma antiga amiga. Ou não fazer piada alguma e dar gargalhada mesmo assim. Cair em frente de todos. Não me importar. 
 Me importar ao ponto de tocar uma campainha apenas para falar um olá para a vizinha. Tomar Toddynho. Rir durante o dia. Chorar sem motivo algum ao escurecer. Não saber em que casa ir, embora eu tenha minha cama quentinha me esperando. Ser extrovertida sem medo algum de assustar pessoas. Abraçar e beijar todos os amores da minha vida. Sentir medo e proteção.
E ter saudades antes, durante e depois de fazer tudo isso.
E ainda assim, sentir a capacidade de que ainda posso ser muito alegre, apesar de.

terça-feira, 5 de março de 2013

A doença do amor é a lucidez.


Sinto sua falta.
Falta de você e suas atitudes bonitas dos antigos tempos. Necessito urgentemente da droga do meu coração saltando pela boca ao vê-lo se aproximar de mim. Necessito da sua voz me despertando do tédio matinal.
Muito embora, nunca possuímos nada concreto, possuímos? Sempre foi um vai-não-vai, a impossibilidade sem fim. A falta de racionalidade nisso tudo. O mesmo universo que me apresentou à você, me fez ver que nunca nascemos para darmos certo. E ainda assim, sinto saudades.
Escrevi mil cartas de amor terrivelmente estúpidas, com minhas entranhas grudadas em cada palavra. E apesar do mundo inteiro achar estranho e platônico meu amor por você, eu não consigo deixar de senti-lo porque sei que é sincero e bonito; mas não sei até que ponto isso tudo é platônico também.
Nessa madrugada de calor, quilômetros e quilômetros distante de você, sei que posso arranjar algumas pessoas para me casar e me divorciar, para fazer sexo com café da manhã em seguida, para sairmos e jurarmos coisas fofas claramente findas. Posso ser alegre sem você. Mas será algo complicado, você sabe. Beijarei outras bocas imaginando qual a textura da sua língua, abraçarei por muito tempo lembrando do seu abraço, irei acordar de madrugada e querer te encontrar em qualquer bar. Me perguntarei até o fim dos dias qual sentimento você verdadeiramente teve por mim.
E não saberei. Tudo foi muito confuso, muito insano. Uma indecisão que dá vazão para mil e uma interpretações. Ou não. Vai ver sou emocionalmente disléxica tanto quanto sou complicada.
Eu só posso afirmar que essa loucura toda nunca poderá virar nada, porque se nenhuma oportunidade nos restar até o fim da vida, eu ainda posso fazer virar poesia.