sábado, 22 de dezembro de 2012

um não escrito.

Querido, escrevo agora para dizer que não vou escrever sobre você. Parece loucura esse motivo. Talvez mais loucura ainda é não escrever sobre seu abraço, seu carinho, seu olhar, seu diálogo que me confundiu da cabeça aos pés. Escrever sobre a última vez que tive certeza que te vi e que, horrivelmente, foi um caos.
Por isso mesmo não escreverei. Escrever é eternizar. Não quero eternizar. Apenas quero dormir em paz pelo resto da minha vida inexata e esquecer dos meus erros com você.

OBS: Você me mandou desencanar e ser feliz, não? Em sua homenagem farei isso com um sorriso no rosto enquanto eu puder e aguentar, dia desses acordo e minha felicidade será completamente pertencente à mim mesma.

segunda-feira, 10 de dezembro de 2012

Clarice clandestina.


Quando Clarice morreu, eu ainda não havia nascido. Nem ao menos sonhada.
No dia 9 de dezembro de 1977 aquela força da natureza literária e humana havia partido. Seu corpo havia se entregue profundamente à cama de hospital que a segurava havia dias. Sua alma partiu ao desconhecido que tanto a intrigava, àquela coisa que sempre despertava suas dúvidas. Seu deus tão confuso e esquisito estendeu os braços para a Esfinge que tanto o desafiou desde seu dificultoso nascimento.
Era dezembro, Rio de Janeiro. Ninguém precisava estar ali para imaginar o calor escaldante daquele dia. O Astro Rei ousava brilhar no céu dos cariocas enquanto o cadáver de Clarice era velado tão tristemente. Creio que poucos acreditavam que ali jazia Clarice, jazia a coragem e intensidade de uma mulher tão misteriosa. Seu deus, sua vida, sua alma era um desafio auto imposto para aquela mulher dos olhos enviesados, da língua presa que agora já não estava mais os encarando. E ainda hoje, 35 anos depois, resta a dúvida: Clarice enfrentou a morte ou a morte enfrentou Clarice Lispector?
Faltava um dia. Um dia para completar 57 anos. Clarice havia nascido em 1920, dia 10 de dezembro. Filha de judeus sofridos, a menininha cresceu e superou paradigmas que ninguém lê em suas obras, mas, quem sabe, os sente. Os sente nas suas entrelinhas esmagadas pelas palavras, misteriosas de si mesmas. Esquisito como sua vida apenas durou 56 anos, mas sua obra perdura até hoje. Suas letras que formavam palavras que formavam frases e serviam como fantasias para toda aquela força vital e sentimental perduram através de gerações.
Mesmo morando na Europa, Estados Unidos, Nordeste brasileiro e seus pais sendo ucranianos, Clarice era carioca. Não de nascença, mas de espírito. O Rio de Janeiro era seu lugar, e como deveria ser bonito a luz do sol reluzindo em seus olhos quase diabólicos! Embora isso, a obra dela se espalhou por todos cantos do mundo, com o vento, com o oceano, com o coração humano. Mesmo com tão pouco tempo seu corpo na Terra, seu coração ainda pulsa nos olhos de quem abre seus livros, lê seus contos.
Clarice não morreu. Clarice está viva de um modo que somente ela, Drummond, Caio, Tom, Eller, Russo e Cazuza conseguem estar. Embora muitos choraram ao redor do seu corpo, quando chegaram em casa após o enterro ou até mesmo muitos nem sabiam e até hoje nem saibam que foi Clarice Lispector, ela vive. Corajosamente, misteriosamente, Clarice venceu o destino de esquecimento que a morte dá.
Mostrando que o corpo era pequeno demais para sua sede de algo maior que a liberdade, pois, afinal, o que ela desejava ainda não tinha nome.

quinta-feira, 6 de dezembro de 2012

Meu amor, meu bebê.


Querido bebê,
sei que ainda sou muito nova e sei que você nem está nos planos (algum dia estará?). Mas senti necessidade de escrever para você certas conclusões avulsas de uma garota que pouco viveu, mas pensa demais e sente demais. Conclusões de alguém que só quer deixar uma conversa antecipada à um possível cidadão da Terra e herdeiro das atitudes da geração atual, da minha e de outras gerações.
Querido, sei que você vai querer ser alguém diferente dos demais porque é sufocante se sentir apenas mais um no meio de sete bilhões de corpos no planeta. Mas, meu bem, o planeta está lotado de babacas, e o mundo, os bichos, o ecossistema inteiro está exausto e morrendo por conta da existência de tantos tapados por aí. Uma pessoa diferente das demais é aquela que não procura ser mais um deles. E isso consiste em buscar sua essência, respeitar as diferenças, ter gentileza, nunca esquecer das suas raízes enquanto acha outros ventos para voar e ser humilde a cima de tudo.
No fundo, ninguém realmente se importará com sua roupa, com seu carro, com a sua tecnologia. Isso é tudo poder aquisitivo, status quo, coisa que vários irão cochichar pelos cantos e apontar para você, mas quando chegarem em casa estarão tão exaustos de si mesmos que mal lembrarão da cor da sua pele. A elite econômica e social é composta geralmente de pessoas fúteis e vazias, tão tristes e desgastadas quanto o cartão de crédito que elas usam compulsivamente. E você não precisa deles, não necessita de nada disso, não é o dinheiro ou a fama que te trará felicidade. Será feliz sendo você, achando seu próprio caminho mesmo que isso seja tão difícil e até mesmo doloroso.
Seja você independente de ser homossexual, transsexual, negro ou branco; gostar de punk rock ou reggae. Os babacas irão se incomodar, irão se irritar, mas deixa eu contar um segredo? Eles não se irritarão com você, se irritarão com sua ousadia de ser você.  Eles possuem medo de perder o poder, perderem a pose tão falsificada e cheia de luxo apodrecido. E não tenha medo deles.  Não dance na música deles. Sua alegria será mais forte que bombas e canhões. Seu respeito será mais exemplar que mil discursos magníficos ditos em praças públicas. Um dia você descobrirá que existe um sistema e são esses tolos que mandam nele e o fazem. Nesse dia você se irritará e vai querer se revoltar imensamente. Por favor, se revolte! Mas não saia sendo um deles e promovendo massacres e opressão. Evolua, estude, se forme. O dia em que você ser alguém espirituoso e estudado, será o dia em que o sistema mais chorará. Esse é o triunfo dos guerreiros, meu amor.
Amor, meu bebê. O mundo precisa de amor, afeto e cuidado. Quem dera todos percebessem isso. Afinal, todos somos o mundo.
Enfim, eu te amo desde já pelo simples fato de você ser um humano iluminado, seja você do jeito que for, meu querido.
Beijos, Maria Rita.

segunda-feira, 3 de dezembro de 2012

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Rabisquei três poemas,
uma merda.

Só porque eu quero,
apenas com você,
um rápido orgasmo
com preliminar bem lerda.