terça-feira, 6 de novembro de 2012

Rompimento urgente.

Me disseram para escrever. Escrever sobre essa explosão, sobre essa exacerbação do conflito interno. Mas, céus! Como irei escrever coisas das quais palavra alguma no universo alcança? Ou alcança, mas meu léxico desconhece. Não existem verbos, frases, sinais que exprimam minha confusão, meu desespero em arrebentar estas correntes que aprisionam minha alma e eu nem sei ao menos quais são elas.
 Estou cansada do lirismo comportado, da desculpa formada, das frases feitas tão moralistas que ultrapassam o sentido da hipocrisia humana. Estou farta dessas conversinhas que antecipam a negação, antecipam a falsidade, mascaram a ambição. Estou exausta da dialética de pessoas mal comidas com almas deformadas.
Quero a palavra inteira, o corpo a corpo, o tapa na cara, o beijo escancarado. Desejo sair pelo mundo espantando o meu medo, eliminando minha solidão. O vento bater no meu rosto e perceber que ali está uma pessoa disposta a segui-lo, disposta a voar por todos cantos do mundo à espera de encontrar conforto para a alma. Necessito, mais do que nunca, ultrapassar toda forma de liberdade já vista.
Viver, mais que escrever e muito mais que apenas existir.