segunda-feira, 5 de novembro de 2012

O grito [ainda não solto].

Tenho a necessidade clariceana do grito. O grito denso, urgente. Possuo o direito ao eco agudo que soará nos ouvidos de todo o mundo, ao eco desesperado, louco, insano. Necessito urgentemente de ouvir o eco egoísta do meu grito exacerbado, do meu grito mesquinho, mimado. Possuo dentro de mim o grito animal mais humano já existente, a voz irracional clamando para se desprender da minha garganta tenebrosa, medonha, fadada em ser o ponto do meu conflito existencial. Minha garganta que carece do grito solto agoniza em ser comandada por meu cérebro sedento de frases verbalizadas em situações onde não existam verbos. 
Meus sentidos se amontoam em coragem e temor à minha existência. E eu, eu tão animalesca, tão sentimental, me recuso a tomar partido. Jogo meu sentimento ao deus dará, e com ele, chovem lágrimas de olhos logo secos.