segunda-feira, 12 de novembro de 2012

Nesse ego louco da paixão.


Estamos num barzinho qualquer, só nós e mais o cara do caixa. Ou existem mais clientes ao redor? Não sei ao certo, seus olhos me hipnotizam o suficiente para não perceber o meu redor. Sempre fui assim. Sempre fui contra a alienação dos apaixonados, mas com você, oh baby! Com você eu esqueço da humanidade. Maio de 68, Revolução Francesa, Farroupilha, Coluna Prestes... o que são essas coisas e quão gloriosas elas são quando me deparo com o seu sorriso? A História perde sentido com o seu jeito de menino-homem que tanto me encanta.
Você me desperta da minha epifânia insana com uma simples risada tímida.
- Achei que você tinha parado de fumar.
- Você me deixa nervosa.
- E seus mantras? Seus bonsais, seu jardim de inverno? - você disse rindo.
- Mandei pro inferno, querido.
Você fica me examinando, como se soubesse o quanto me deixa nervosa. Talvez seja proposital. Talvez você ache a minha pseudo esquizofrenia a coisa mais delirantemente bonita do mundo.
- Você é louca, ridícula, insana.
- Você é perverso.
Te olho como se a sua boca fosse a mandala mais infernal do universo inteiro. E a mais bonita. A mais gostosa.
- Querido, você gosta de mim? Só um pouquinho?
Você sorri.
- Quer saber? Não precisa responder. Sou louca, insana, ridícula. Só gostaria dos seus lábios nos meus por um segundo.
Você ri. Me perturba. Explode uma bomba de lacrimogênio na minha guerra mental.
- Você, menina, é um abismo pscodélico que eu terei que me jogar para saber se gosto, para saber se gozo. Você é intensa, bonita, profundamente insana.
- Ridícula?
- Sim. Mas somente os tolos possuem medo do ridículo. Cada abraço seu me mostra que você é a garota menos tola que conheço. Suas tolisses são corajosas. Você tem coração valente, mente conturbada. Seu mundo é um cinema francês surreal. Seu olhar é uma vanguarda de ego insano.
- Eu sou louca, isso me faz amável ainda assim?
- Sim.
Olho nos seus olhos e percebo que você sempre soube do meu sentimento louco por você. Sempre soube dos meus desejos mais bobos. E eu, tão bobinha, nem reparava. Você se jogaria no meu abismo algum dia? Me dá um medo.
A sua mão na minha me desperta novamente de uma epifânia mais rebelde que a anterior. Você acaricia meus dedos e sorri.
- Me beija?
- Te beijo.