domingo, 3 de junho de 2012

Aos povos.

Para falar a verdade, estou caindo de sono aqui. Não tem nenhuma música tocando ou qualquer coisa animada. Aliás, nem meu rato está andando loucamente na roda como ele faz o dia inteiro. Esqueça todo o romantismo possível que envolve textos bonitos e arrumados.
Eis aqui um texto sem rumo algum, daqueles que anulam a monotonia exterior e mergulha no interior do meu coração pulsante viajando de leste a oeste. Um texto para viajantes que pulam de trem em trem, tendo a ousadia de beber Whisky durante sua curta estadia num vagão proibido.  
Ah! Como são adoráveis os marginalizados, os insanos, os excluídos sociais. Tenho vontade de abraçar fortemente os filhos da mãe que mijam em frente das boutiques em que cada sapato custa toda a vida alimentar de uma criança faminta. Um salve aos mochileiros que caminham sem a mochila, sem os mapas ou o próprio dinheiro; às pessoas que prestam atenção na natureza, no sorriso de uma velhota desdentada, imaginam os frutos de uma mão calejada, assistem as cores da vida e reproduzem o som das gargalhadas por onde passam. Um beijo enorme para as pessoas que não ganham prêmio algum e ainda assim espalham a paz por onde passam, gritam sobre as necessidades de cada canto do mundo, vêem ao vivo e ao sangue os filmes de Almodóvar, as pinturas de Frida Kahlo. Um grito de liberdade à todos muçulmanos passivistas, terra nova aos judeus igualitários, vida boa aos crentes não fanáticos, felicidade aos católicos de pensamento livre, aplausos aos ateus tolerantes. Água para as crianças sedentas, comida para as crianças famintas.
Luz para o meu coração. 
Isso me despertou. Se eu pudesse declarar algo, qualquer coisa, seria isso. Seria a liberdade sem limite, liberdade tal que nem se chamaria assim. Liberdade tal que o ser humano ainda não a conheceu, talvez nem a imaginou.