sábado, 22 de dezembro de 2012

um não escrito.

Querido, escrevo agora para dizer que não vou escrever sobre você. Parece loucura esse motivo. Talvez mais loucura ainda é não escrever sobre seu abraço, seu carinho, seu olhar, seu diálogo que me confundiu da cabeça aos pés. Escrever sobre a última vez que tive certeza que te vi e que, horrivelmente, foi um caos.
Por isso mesmo não escreverei. Escrever é eternizar. Não quero eternizar. Apenas quero dormir em paz pelo resto da minha vida inexata e esquecer dos meus erros com você.

OBS: Você me mandou desencanar e ser feliz, não? Em sua homenagem farei isso com um sorriso no rosto enquanto eu puder e aguentar, dia desses acordo e minha felicidade será completamente pertencente à mim mesma.

segunda-feira, 10 de dezembro de 2012

Clarice clandestina.


Quando Clarice morreu, eu ainda não havia nascido. Nem ao menos sonhada.
No dia 9 de dezembro de 1977 aquela força da natureza literária e humana havia partido. Seu corpo havia se entregue profundamente à cama de hospital que a segurava havia dias. Sua alma partiu ao desconhecido que tanto a intrigava, àquela coisa que sempre despertava suas dúvidas. Seu deus tão confuso e esquisito estendeu os braços para a Esfinge que tanto o desafiou desde seu dificultoso nascimento.
Era dezembro, Rio de Janeiro. Ninguém precisava estar ali para imaginar o calor escaldante daquele dia. O Astro Rei ousava brilhar no céu dos cariocas enquanto o cadáver de Clarice era velado tão tristemente. Creio que poucos acreditavam que ali jazia Clarice, jazia a coragem e intensidade de uma mulher tão misteriosa. Seu deus, sua vida, sua alma era um desafio auto imposto para aquela mulher dos olhos enviesados, da língua presa que agora já não estava mais os encarando. E ainda hoje, 35 anos depois, resta a dúvida: Clarice enfrentou a morte ou a morte enfrentou Clarice Lispector?
Faltava um dia. Um dia para completar 57 anos. Clarice havia nascido em 1920, dia 10 de dezembro. Filha de judeus sofridos, a menininha cresceu e superou paradigmas que ninguém lê em suas obras, mas, quem sabe, os sente. Os sente nas suas entrelinhas esmagadas pelas palavras, misteriosas de si mesmas. Esquisito como sua vida apenas durou 56 anos, mas sua obra perdura até hoje. Suas letras que formavam palavras que formavam frases e serviam como fantasias para toda aquela força vital e sentimental perduram através de gerações.
Mesmo morando na Europa, Estados Unidos, Nordeste brasileiro e seus pais sendo ucranianos, Clarice era carioca. Não de nascença, mas de espírito. O Rio de Janeiro era seu lugar, e como deveria ser bonito a luz do sol reluzindo em seus olhos quase diabólicos! Embora isso, a obra dela se espalhou por todos cantos do mundo, com o vento, com o oceano, com o coração humano. Mesmo com tão pouco tempo seu corpo na Terra, seu coração ainda pulsa nos olhos de quem abre seus livros, lê seus contos.
Clarice não morreu. Clarice está viva de um modo que somente ela, Drummond, Caio, Tom, Eller, Russo e Cazuza conseguem estar. Embora muitos choraram ao redor do seu corpo, quando chegaram em casa após o enterro ou até mesmo muitos nem sabiam e até hoje nem saibam que foi Clarice Lispector, ela vive. Corajosamente, misteriosamente, Clarice venceu o destino de esquecimento que a morte dá.
Mostrando que o corpo era pequeno demais para sua sede de algo maior que a liberdade, pois, afinal, o que ela desejava ainda não tinha nome.

quinta-feira, 6 de dezembro de 2012

Meu amor, meu bebê.


Querido bebê,
sei que ainda sou muito nova e sei que você nem está nos planos (algum dia estará?). Mas senti necessidade de escrever para você certas conclusões avulsas de uma garota que pouco viveu, mas pensa demais e sente demais. Conclusões de alguém que só quer deixar uma conversa antecipada à um possível cidadão da Terra e herdeiro das atitudes da geração atual, da minha e de outras gerações.
Querido, sei que você vai querer ser alguém diferente dos demais porque é sufocante se sentir apenas mais um no meio de sete bilhões de corpos no planeta. Mas, meu bem, o planeta está lotado de babacas, e o mundo, os bichos, o ecossistema inteiro está exausto e morrendo por conta da existência de tantos tapados por aí. Uma pessoa diferente das demais é aquela que não procura ser mais um deles. E isso consiste em buscar sua essência, respeitar as diferenças, ter gentileza, nunca esquecer das suas raízes enquanto acha outros ventos para voar e ser humilde a cima de tudo.
No fundo, ninguém realmente se importará com sua roupa, com seu carro, com a sua tecnologia. Isso é tudo poder aquisitivo, status quo, coisa que vários irão cochichar pelos cantos e apontar para você, mas quando chegarem em casa estarão tão exaustos de si mesmos que mal lembrarão da cor da sua pele. A elite econômica e social é composta geralmente de pessoas fúteis e vazias, tão tristes e desgastadas quanto o cartão de crédito que elas usam compulsivamente. E você não precisa deles, não necessita de nada disso, não é o dinheiro ou a fama que te trará felicidade. Será feliz sendo você, achando seu próprio caminho mesmo que isso seja tão difícil e até mesmo doloroso.
Seja você independente de ser homossexual, transsexual, negro ou branco; gostar de punk rock ou reggae. Os babacas irão se incomodar, irão se irritar, mas deixa eu contar um segredo? Eles não se irritarão com você, se irritarão com sua ousadia de ser você.  Eles possuem medo de perder o poder, perderem a pose tão falsificada e cheia de luxo apodrecido. E não tenha medo deles.  Não dance na música deles. Sua alegria será mais forte que bombas e canhões. Seu respeito será mais exemplar que mil discursos magníficos ditos em praças públicas. Um dia você descobrirá que existe um sistema e são esses tolos que mandam nele e o fazem. Nesse dia você se irritará e vai querer se revoltar imensamente. Por favor, se revolte! Mas não saia sendo um deles e promovendo massacres e opressão. Evolua, estude, se forme. O dia em que você ser alguém espirituoso e estudado, será o dia em que o sistema mais chorará. Esse é o triunfo dos guerreiros, meu amor.
Amor, meu bebê. O mundo precisa de amor, afeto e cuidado. Quem dera todos percebessem isso. Afinal, todos somos o mundo.
Enfim, eu te amo desde já pelo simples fato de você ser um humano iluminado, seja você do jeito que for, meu querido.
Beijos, Maria Rita.

segunda-feira, 3 de dezembro de 2012

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Rabisquei três poemas,
uma merda.

Só porque eu quero,
apenas com você,
um rápido orgasmo
com preliminar bem lerda.

quinta-feira, 29 de novembro de 2012

Aquele animal irracional.


Ali está Iracema, sentada de frente ao seu computador, tomando seu café enquanto pensa em parar de fumar. Resolve começar seu conto. Escreve: "A menina, confusa, abstrata, viva e mórbida acende seu cigarro e...". Alguém a interrompe.
- Querida, por que em todos seus contos você precisa escrever que a protagonista acende um cigarro?
Silêncio.
- Não sei, talvez fique mais poético.
- Não fica, fica clichê. Caio quase sempre fazia isso. E todos lêem Caio!
Silêncio.
- Amo Caio, quase o idolatro, mas...
- Não encha, garoto!
- ... mas só queria que você fosse você mesma uma vez na droga da sua vida!
A moça desaba a chorar. Abre sua carteira e vê o último cigarro. Quem era aquele imbecil que se atrevia a definir quem era ela realmente? Quantas vezes ela falou sobre suas confidências e ele nem ao menos se importou? Agora vem defini-la. Oras!
- Queria ter o luxo de contar as coisas a alguém que não me julgue. - Sussurra.
- O que disse?
- Disse que vou embora amanhã. É meu último dia na cidade.
Ambos engolem seco. Seco em meio às lágrimas internas e externas que ameaçavam pular dos olhos e brincar de escorrega em seus rostos suados pelo calor daquela noite quente. O garoto aproxima da moça, não sabendo se a pegaria ou não pelos braços encobrindo-a de abraços, beijos e choros repentinos.
- Por que vai?
- Porque necessito ir, menino. Não sou daqui. Nunca fui. Tenho que sair urgentemente.
- Está louca? - indaga atordoado. - Você nasceu aqui, Iracema! Viveu aqui, mora aqui há anos. Como ousa me dizer que vai porque não é daqui?
A escritora afasta a xícara próxima, range os dentes e implode. Como explicar aquilo? Aquela loucura? Irracionalidade absoluta? Como explicar que nem ao menos era desse planeta? Quis chorar. Nenhuma lágrima, nenhuma porcaria de lágrima alivia sua pressão interna, nem ao menos escorre. É tão difícil se ser no momento em que mais se é. Assusta.
- Não pertenço a esse lugar. Sou uma estrangeira.
Silêncio.
- Esse lugar pertence a mim, o levarei por todos lugares que irei. Cada um que amo me compõe. Você, os outros, as casas, árvores, tudo, tudo... são pedaços de mim.
- Você nos pertence, querida. - responde em lágrimas.
- Não pertenço nem a mim, por que acha que sou de vocês?
Silêncio. Duas cabecinhas atordoadamente opostas pensando e angustiando no desconhecido.
- A vida é mútua, moça. Cada um que passa, deixa marca. Cada um que abraça e ama, deixa calor. Deixa lembrança. Lembrança é parte do nosso cérebro, parte tão intensa de nós. Você pertence e nem sabe.
Ele não a entendia. Mas pra quê julgá-lo? Nem ela se entendia mesmo.
Ela é aquele animal abstrato e sentimental que de tantas cores, curvas e sentimentalismos nem se reconhece mais. Ela é o peso e a leveza do universo. A sua alma é tão entendida quanto o fim da galáxia: alguns estudam, outros debatem a existência, a maioria acha complicado demais para tomar conhecimento.
- Querido, não sei de mais nada. Posso pertencer, mas não sinto. Não sinto o aperto delicioso de pertencer a alguém. É bom isso? Não sei. Amo tão intensamente que menos que isso é como se não fosse amada. E o que é isso? Também não sei.
- Você é a garota mais confusa que conheço na vida. E a mais bonita. E a mais estranha.
"Estranha". Ecoou na cabeça da moça a fazendo sorrir. Aquilo sim é elogio. Tão chato seria se não fosse estranha.
- Obrigada.
Ele ri. Quem não riria diante de uma criatura tão... daquele jeito?
- Vamos abrir um vinho? Nos despedir?
- Não! - responde em um susto só. - Não me conhece? Odeio despedidas. Vou embora sem pensar.
- Só pensei em...
- Nem pensar!
- ... nos divertir.
- Divertir? - gargalha - nos divertimos antes, querido. Divertir sabendo que é despedida não é diversão. Você bem sabe que despedida me provoca cóleras e sofrimento intenso.
Ele ri.
- Você é toda intensa, Iracema!
- Sou insana, admita!
- Você é absurda.
Ambos riem e é inevitável se lembrar de como se conheceram. Naquela tarde quente de janeiro, em um ônibus. Quase nunca conversavam com outras pessoas em transportes coletivos. Mas ele vestia uma camiseta de Sinatra e ela carregava uma pilha de livros literários. Como não puxar assunto diante de tanta peculiaridade em um mundo em que os normais carregam tecnologias avançadas e usam camisetas horrivelmente banais?
- Você não dirá adeus, não é mesmo?
Ela leva outro susto.
- Sei escrever cartas, babaca. Isso não é adeus! É até logo.
- Então vamos tomar aquele vinho.
Ele ri da própria insistência, enquanto ela o olha com seu olhar bravo e exaustivo.
- Viajo cedo, odeio despedidas, estou em cólera.
- Saudades de mim?
Bobo, como se ela fosse admitir algo desse tipo.
- Saudades do cigarro.
Ambos tiveram a certeza que essa não era a resposta sincera.
- Teimosa!
Sorri.
- Vai deixar eu acabar de escrever?
- A protagonista fumará?
- Sim. - diz da forma seca como sempre diz em encerramento de assunto, impondo sua vontade às suas criaturas de palavras.
Ele sai sem abraço, sem choro, sem nada que aparente seu sangue latino. Do jeito que ela queria. E isso a dói de modo cortante, como se abrissem o peito dela sem anestesia. Aquilo era saudades ou uma operação invisível?
Ela teve a certeza: sua cólera não é terrena e nem ela é. Ela é um bicho vindo de outro planeta em busca de si própria. O caminho dela é cercado por anjos, sim.
Iracema sorri novamente.
Pensa: "O universo me abençoou e amaldiçoou, será que também fez isso com outros ou eu sou uma experiência sentimental desastrosa?"
Prefere não achar a resposta. Aproxima a xícara e volta a escrever: "... e senta na calçada, olha o horizonte entardecido e tudo o que sonhava era paralisar o tempo e mergulhar em um abraço eterno".

(Maria Rita L. )

segunda-feira, 12 de novembro de 2012

Nesse ego louco da paixão.


Estamos num barzinho qualquer, só nós e mais o cara do caixa. Ou existem mais clientes ao redor? Não sei ao certo, seus olhos me hipnotizam o suficiente para não perceber o meu redor. Sempre fui assim. Sempre fui contra a alienação dos apaixonados, mas com você, oh baby! Com você eu esqueço da humanidade. Maio de 68, Revolução Francesa, Farroupilha, Coluna Prestes... o que são essas coisas e quão gloriosas elas são quando me deparo com o seu sorriso? A História perde sentido com o seu jeito de menino-homem que tanto me encanta.
Você me desperta da minha epifânia insana com uma simples risada tímida.
- Achei que você tinha parado de fumar.
- Você me deixa nervosa.
- E seus mantras? Seus bonsais, seu jardim de inverno? - você disse rindo.
- Mandei pro inferno, querido.
Você fica me examinando, como se soubesse o quanto me deixa nervosa. Talvez seja proposital. Talvez você ache a minha pseudo esquizofrenia a coisa mais delirantemente bonita do mundo.
- Você é louca, ridícula, insana.
- Você é perverso.
Te olho como se a sua boca fosse a mandala mais infernal do universo inteiro. E a mais bonita. A mais gostosa.
- Querido, você gosta de mim? Só um pouquinho?
Você sorri.
- Quer saber? Não precisa responder. Sou louca, insana, ridícula. Só gostaria dos seus lábios nos meus por um segundo.
Você ri. Me perturba. Explode uma bomba de lacrimogênio na minha guerra mental.
- Você, menina, é um abismo pscodélico que eu terei que me jogar para saber se gosto, para saber se gozo. Você é intensa, bonita, profundamente insana.
- Ridícula?
- Sim. Mas somente os tolos possuem medo do ridículo. Cada abraço seu me mostra que você é a garota menos tola que conheço. Suas tolisses são corajosas. Você tem coração valente, mente conturbada. Seu mundo é um cinema francês surreal. Seu olhar é uma vanguarda de ego insano.
- Eu sou louca, isso me faz amável ainda assim?
- Sim.
Olho nos seus olhos e percebo que você sempre soube do meu sentimento louco por você. Sempre soube dos meus desejos mais bobos. E eu, tão bobinha, nem reparava. Você se jogaria no meu abismo algum dia? Me dá um medo.
A sua mão na minha me desperta novamente de uma epifânia mais rebelde que a anterior. Você acaricia meus dedos e sorri.
- Me beija?
- Te beijo.

terça-feira, 6 de novembro de 2012

Rompimento urgente.

Me disseram para escrever. Escrever sobre essa explosão, sobre essa exacerbação do conflito interno. Mas, céus! Como irei escrever coisas das quais palavra alguma no universo alcança? Ou alcança, mas meu léxico desconhece. Não existem verbos, frases, sinais que exprimam minha confusão, meu desespero em arrebentar estas correntes que aprisionam minha alma e eu nem sei ao menos quais são elas.
 Estou cansada do lirismo comportado, da desculpa formada, das frases feitas tão moralistas que ultrapassam o sentido da hipocrisia humana. Estou farta dessas conversinhas que antecipam a negação, antecipam a falsidade, mascaram a ambição. Estou exausta da dialética de pessoas mal comidas com almas deformadas.
Quero a palavra inteira, o corpo a corpo, o tapa na cara, o beijo escancarado. Desejo sair pelo mundo espantando o meu medo, eliminando minha solidão. O vento bater no meu rosto e perceber que ali está uma pessoa disposta a segui-lo, disposta a voar por todos cantos do mundo à espera de encontrar conforto para a alma. Necessito, mais do que nunca, ultrapassar toda forma de liberdade já vista.
Viver, mais que escrever e muito mais que apenas existir.

segunda-feira, 5 de novembro de 2012

O grito [ainda não solto].

Tenho a necessidade clariceana do grito. O grito denso, urgente. Possuo o direito ao eco agudo que soará nos ouvidos de todo o mundo, ao eco desesperado, louco, insano. Necessito urgentemente de ouvir o eco egoísta do meu grito exacerbado, do meu grito mesquinho, mimado. Possuo dentro de mim o grito animal mais humano já existente, a voz irracional clamando para se desprender da minha garganta tenebrosa, medonha, fadada em ser o ponto do meu conflito existencial. Minha garganta que carece do grito solto agoniza em ser comandada por meu cérebro sedento de frases verbalizadas em situações onde não existam verbos. 
Meus sentidos se amontoam em coragem e temor à minha existência. E eu, eu tão animalesca, tão sentimental, me recuso a tomar partido. Jogo meu sentimento ao deus dará, e com ele, chovem lágrimas de olhos logo secos.

quinta-feira, 1 de novembro de 2012

Choque intra-estrelar [almático].

Devo admitir que, embora minha racionalidade seja completamente agnóstica, meu desespero é piamente cristão. Meu interior tem o peso silencioso das almas pacifistas degoladas, meu medo e minha razão são duas constelações se chocando durante toda a vida - e do choque nasce um buraco negro do qual engole todo vestígio de sanidade que poderia me habitar.

_______
Almático(s); que vem da alma [inventado por Maria Rita em frente do ventilador].

terça-feira, 30 de outubro de 2012

das causas pequenas.

Ninguém se apaixona por amor. Amor é consequência, não causa. A causa é o jeito de sorrir, de andar, de falar, ou até mesmo é a pintinha pequenina no rosto. A causa é o que quase ninguém vê, só você.

domingo, 28 de outubro de 2012

mania de rimar.

Amor,
ardor,
dor,
louvor,
odor,
calor...



Você.
(Dane-se a rima). 

sexta-feira, 26 de outubro de 2012

Carta de amor do Pequeno Bobo da Corte.


Há calor. Há calor em todo sistema; os planetas recebem raios solares e nosso corpo derrete com o calor recebido das estrelas. Tais estrelas são tão importantes como o sol, querida. E você é meu sol. Enquanto eu sou um planetinha confuso e lunático do qual existe um menino bobo me habitando. Um menino que não é tão esperto ou cativante quanto o pequeno príncipe, mas é um menino atrevido e inocente; um paradoxo de criatura, que sempre se atreve a escrever cartas de amor.
O que diria eu sobre estas cartas? Cartas de amor são ridículas, oras. Você está lendo uma agora mesmo. Mas ah! Meu menininho não é tolo! Ele somente se dá ao luxo e atrevimento de escrever esta carta pois sabe que somente os tolos possuem medo do ridículo.
Somente alguém muito tolo teria medo ou desconfiança de escrever o quanto sua pele é macia ou o quanto sua pintinha dentro do olho é engraçada e adorável. Somente um tolo não diria o quanto você ilumina meus dias e se tornou essencial na minha vida; tão essencial quando brisa em dias quentes, cobertor em dias frios.
Amo você sem saber expressar, sem saber retomar meus antigos ares românticos. Amo você de forma desajeitada, mas inteira. Amo você para a vida inteira. Amo você apesar dos nossos erros tolos. Amo você por causa das nossas bobagenzinhas gostosas. Amo você de forma irracional, sentimental e só. Amo você porque amo e pronto, oras. E você é única, adorável, linda. Você é meu sol e eu sou seu pequeno planeta com um menino bobo habitando... junto a um cacto com uma flor roxa brotando no meio dos seus espinhos.

domingo, 16 de setembro de 2012

Vai! (só comigo)


Fica.
Fica antes do clarear, antes do escurecer eterno.
Fica antes do cigarro vagabundo apagar, antes do café esfriar.
Fica sem rima, sem métrica. 
Fica que eu colo seu coração. Fica para aliviar minha oração.
Fica antes que eu me jogue no próximo ônibus, assalte o próximo banco.
Fica e foda-se a opinião alheia, fica a vida inteira.
Se não, vá! Mas me leva junto, amor.

terça-feira, 28 de agosto de 2012

,


Cada dia me sinto mais louca, rouca, barroca.
Cada vez me vejo mais confusa, efusa.
Cada hora me encontro mais fora da linha, sem a rima ser toda minha.
A rima não rima,  e não é minha, não é sua, é nossa.
É de ninguém.

segunda-feira, 27 de agosto de 2012

"Nosso amor é como um grão..."


Moça,
dizem que agosto é um mês interminável, dizem que é uma ponte gigantesca que apenas nos leva ao sol de setembro. Mas, para mim, não se passa de um mês banal na minha vida de confusão interminável, com dúvidas irremediáveis. Sabe, nenhum tempo, ano ou dia passará tão longo e cruel quanto o dia em que eu perder você. Você, moça, que admiro, adoro, respeito e amo com todos os sentidos do amor. Você que me tem de um modo que ninguém tem, embora eu faça tanta bobagem com você. Queria tanto ser apenas sua amiga, dói menos, sufoca menos, me irrita  menos. Quem dera eu conseguisse te machucar menos! 
Não suporto sua dor, sua lágrima, seu rancor. Prefiro tomar pra mim e morrer aos poucos do que te ver se perder por aí. Prefiro suportar a dor do mundo do que te ver infeliz, moça. E isso é tão sincero, tão interno e mesmo assim incompleto que acabo expulsando as palavras do meu coração junto com lágrimas e dor. 
Se cuida, moça. Procure amores dos quais eu eternamente  irei invejar, procure sorrisos, abraços, amigos. Se cuida lembrando que estará cuidando da melhor parte dos meus dias. Se quiser, fuja para o mundo, mas... por favor, não fuja de mim.

domingo, 15 de julho de 2012

tua...


sexta-feira, 29 de junho de 2012

Olha só, morena.

Olha só, morena, eu amo você. Amo apesar da minha cabecinha inconstante, do meu coração agoniado, da minha liberdade gritante, do meu jeito desesperado. Amo apesar dos seus dramas incansaveis, das suas raivas inexplicáveis, dos seus problemas eternos, do seu pseudo inferno. Amo você sem saber demonstrar, sem saber medir, sem saber fazer qualquer coisa bonitinha. Mas, moça, você é a pessoa que mais me irrita no mundo e, ironicamente, é a pessoa que eu quero ter nos braços por vários e vários anos da minha vida. Quero cuidar e ninar você. Casar e construir nossa vidinha em paz, ou melhor, em uma paz caótica porque é a única forma de paz que conheço. Sabe, me perdoa as mancadas, as brigas, me perdoa meu jeito de menina revolucionária desastrada. Me perdoa todos os erros, amor, lembra que quero cuidar de você, por mais que seja muito pequena pra isso.

É, acho que ainda vou acordar e dormir do seu lado por muito e muito anos.

sábado, 9 de junho de 2012

Cosmos humanos.

Algum dia hei de romper todas barreiras sociais que me perturbam.  Irei gritar contra todos os nãos que cercam minha felicidade, todas opressões que a impedem de existir completamente; meu grito há de ser inteiro e maciço, tão denso quanto todo o oceano que envolve todo o planeta, tão forte quanto a energia de todos astros unidos. Hei de ser alegre, hei de modificar meu cotidiano mesmo que isso custe meu suor e lágrimas. Pois creio que dentro de nós coexistem todos os cosmos e matérias divinas das galáxias, porque a verdadeira barreira não está em chegar ao centro de Saturno, mas sim de atingir o coração da humanidade.

domingo, 3 de junho de 2012

Aos povos.

Para falar a verdade, estou caindo de sono aqui. Não tem nenhuma música tocando ou qualquer coisa animada. Aliás, nem meu rato está andando loucamente na roda como ele faz o dia inteiro. Esqueça todo o romantismo possível que envolve textos bonitos e arrumados.
Eis aqui um texto sem rumo algum, daqueles que anulam a monotonia exterior e mergulha no interior do meu coração pulsante viajando de leste a oeste. Um texto para viajantes que pulam de trem em trem, tendo a ousadia de beber Whisky durante sua curta estadia num vagão proibido.  
Ah! Como são adoráveis os marginalizados, os insanos, os excluídos sociais. Tenho vontade de abraçar fortemente os filhos da mãe que mijam em frente das boutiques em que cada sapato custa toda a vida alimentar de uma criança faminta. Um salve aos mochileiros que caminham sem a mochila, sem os mapas ou o próprio dinheiro; às pessoas que prestam atenção na natureza, no sorriso de uma velhota desdentada, imaginam os frutos de uma mão calejada, assistem as cores da vida e reproduzem o som das gargalhadas por onde passam. Um beijo enorme para as pessoas que não ganham prêmio algum e ainda assim espalham a paz por onde passam, gritam sobre as necessidades de cada canto do mundo, vêem ao vivo e ao sangue os filmes de Almodóvar, as pinturas de Frida Kahlo. Um grito de liberdade à todos muçulmanos passivistas, terra nova aos judeus igualitários, vida boa aos crentes não fanáticos, felicidade aos católicos de pensamento livre, aplausos aos ateus tolerantes. Água para as crianças sedentas, comida para as crianças famintas.
Luz para o meu coração. 
Isso me despertou. Se eu pudesse declarar algo, qualquer coisa, seria isso. Seria a liberdade sem limite, liberdade tal que nem se chamaria assim. Liberdade tal que o ser humano ainda não a conheceu, talvez nem a imaginou. 

domingo, 29 de abril de 2012

Um flit paralisante qualquer.

Está frio. Quero um copo de pão de queijo e outro de cappuccino. Ouvir Cat Stevens cantando o quanto o mundo é selvagem, e quando passar para próxima música do disco que diz da saudade dos velhos tempos de escola, chorar de saudades antecipadas da minha melhor amiga. Quero me enrolar no cobertor e beijar a garota que amo. Então, congelar o tempo e nunca mais envelhecer, nem amargurar. Somente ter a sensação de estar protegida por sentimentos preciosos que deixamos passar no cotidiano.

terça-feira, 17 de abril de 2012

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Imagino nossos gatos, nossos rastros, nossos enlaços. Vejo cores atentamente, arrumo a lente, organizo a mente. Nossa casa, nossas asas, nossas massas sobre a mesa. Olho meu coração, percebo que nosso amor é minha mais conturbada oração.

domingo, 1 de abril de 2012

Ansiedade.

Quis te oferecer meu melhor cigarro, mas você parou. Nem sei se liga pr'aquela cerveja que já esquentou.
Acendo um incenso, sorrio. O café está ali, sua fumaça está subindo graciosamente até se perder da minha vista. Meu coração palpita querendo devorar cada centímetro de você para compensar a ausência durante os meses quentes. A temperatura abaixou. Tic tac tic tac. A hora passa devagar. Cadê você? Não chegará logo o dia em que meus braços encontrarão os seus? Sim, chegará. Mas você bem sabe, sou ansiosa.
O café esfriou. A risada escapuliu da minha garganta. Nervoso. Espero que o ácido do meu estomago não mate as borboletas. Batuco meus dedos na escrivaninha e penso: dentre muitas coisas, espero que existam conjunções bonitas no céu que nos abrigará a partir de agora, só para rimar com a beleza do meu coração se alinhando ao seu.

quarta-feira, 14 de março de 2012

Coração de boneca valente.

O dia passa quente,
a vida corre por vezes fria.
Minh'alma dói de tão ardente.

O coração reclama,
a noite já está caída.
Poesias a lua proclama
e Ismália está de partida.

Versos poéticos em olhos céticos,
embora tenha todos sonhos do mundo.
Não ligo para discursos dialéticos,
fico bem com meu jeito de nobre vagabundo.

Gosto de cores,
sofro demais por amores.
E para minha linda menina,
deixo aqui blues e flores.

terça-feira, 6 de março de 2012

Solitada.

Solidão lotada, solitada. A garota criou essa palavra quando percebeu que precisava de alguma coisa para definir o estado constante que ela permanecia e que ninguém jamais definiu. Dentro dela existia inúmeras pessoas com suas diversas facetas, mas nenhuma delas conseguia preencher o vazio que a falta de outras pessoas causava. Era como se seu pequeno corpo fosse capaz de abrigar  um universo inteiro, e dentro desse universo abrigasse um abismo infinito. Depois de anos passando por isso, ela encontrou uma definição plausível. Não era amargo nem doce, frio nem quente, era apenas pesado.
E ter encontrado alguém que a fizesse sorrir e ela pudesse retribuir essa mesma sensação, a fez pensar que existe algo de maravilhoso em ser humano.

sexta-feira, 24 de fevereiro de 2012

Poeminha pra ficar.

Caiu a ficha agora. Sou tua.
Não quero viver sem você.
quero te trancar no quarto nua,
jogar a chave fora, nem ter fechadura.

Ser só nós duas,
fingir que o mundo não existe,
ter seu abraço para me proteger.
Deixar que nosso amor se eternize,
formar histórias que só nós devemos saber.

Não, morena, não vai embora.
Agora que o amor chegou na hora,
me dê a mão, olhe o céu lá fora.
O pequeno príncipe com o nosso amor
se enamora.

quinta-feira, 9 de fevereiro de 2012

Melhor que tarja preta.

Você não é uma simples pessoa, moça. Você é estranhamente diferente, e isso não é ruim. Geralmente me lembro das pessoas com um certo peso, uma certa ansiedade que você sabe bem que tenho. Mas você… eu me lembro de você com a mesma sensação de brisa fresquinha num dia de calor. Ou de café quente numa noite de frio. Ou abraço apertado em dias monótonos. Ou como qualquer outra coisa encantadora que passa por nossa vida. Aquela coisa que você deseja que permaneça até o fim, todos os dias. Aquela coisa tão boa que você quer que dure a vida toda e, por isso, quer viver por muito tempo. E você me tranquiliza, coisa que ninguém nunca conseguiu. Sou afobada, paranoica, desconfiada. Mas perto de você, sou uma garota melhor. Obrigada por me amar. Obrigada por simplesmente existir, moça.

quarta-feira, 8 de fevereiro de 2012

Constelação de estrela só.

Escrevi sobre você antes de te ler. Te desejei antes de até mesmo conhecer. Cometas, estrelas, constelações. Entre todas, entre as maiores e mais lindas, você é minha favorita.

sexta-feira, 13 de janeiro de 2012

... e prevendo o passado.

Meu último pensamento antes de dormir ontem foi que nós somos apenas passagens na vida de um e do outro. Daqui uns anos, muito provavelmente, perderemos contato e não passaremos de lembranças boas nas nossas cabecinhas cheias de ideias. E isso doeu, querido.
 É quase insano dizer isso, mas vou te levar comigo. Por vários tempos, até o fim.