quarta-feira, 21 de dezembro de 2011

Bilhetinho azul.

Querida pessoa possivelmente utópica,
se um dia quiser dividir um teto com a garota mais bobona e confusa do mundo, eu estou aqui. Estou aqui esperando com uma casa em qualquer lugar, com nosso gato preto e minha geladeira sem faltar sorvete de pistache e toddynho. Com música em todo lugar e sem televisão. Livros espalhados, bichinhos inanimados e all star em cada canto. Tudo coberto com um cheiro de café quentinho e uma certa baderna na sala, com travesseiros e cobertas.
Mas você tem que se lembrar que o preço do aluguel é me ouvir desabar igual chuvas tropicais: em meio de um calor sentimental imenso, meu dilúvio quase diário de lágrimas. E me ver te perguntando o que você viu em mim, e citando qualquer frase pra no final não lembrar o nome do autor. Me ver insistir que sou uma verdadeira Marla Singer, incorporada dissimuladamente numa jeitinho de Amélie Poulain. Ouvir minhas descrenças incansáveis e ver minhas esperanças transbordarem em um par muito sincero de olhos e o sorriso mais bobo que você talvez já viu. E ter que aturar muitos, muitos abraços vindos sem motivo algum.
Espero um dia que você me aceite. E eu, em meio da minha teimosia fatalista, aceite que encontrei você.