quinta-feira, 29 de dezembro de 2011

Adeus você.

Quando você me quiser rever
Já vai me encontrar refeita, pode crer.
Olhos nos olhos,
Quero ver o que você faz
Ao sentir que sem você eu passo bem demais.
— Chico Buarque

Estranhas essas manhãs pós chuva, que me deixam ainda com a insônia do dia seguinte. E os pássaros no céu contradizendo com minha caneca favorita de gatinho preto já levando café quente, e páginas abertas no meu computador me fazendo achar o passado besta demais. Essas coisas que me fazem perceber que, em certos casos, sentir falta é muito diferente de desejar ter de volta.

sexta-feira, 23 de dezembro de 2011

Utopias parisienses.

- Eu sei, daqui uns vinte anos você quer acordar num dia chuvoso, numa casa com uns cinco gatos, tomar o café da padaria do lado do seu apartamento e ir à Notre Dame dar bom dia à Joana D’Arc antes de ir ao seu trabalho de intelectual fudido que te faz tão completa.
- Você não sabe. Viveria numa cidade de calor infernal, com cinco cães e trabalharia em qualquer repartição pública se eu tivesse apenas uma coisa que me faria bem mais completa do que qualquer outra coisa bonitinha do mundo.
- Você?
- Sim. Você.

quarta-feira, 21 de dezembro de 2011

Bilhetinho azul.

Querida pessoa possivelmente utópica,
se um dia quiser dividir um teto com a garota mais bobona e confusa do mundo, eu estou aqui. Estou aqui esperando com uma casa em qualquer lugar, com nosso gato preto e minha geladeira sem faltar sorvete de pistache e toddynho. Com música em todo lugar e sem televisão. Livros espalhados, bichinhos inanimados e all star em cada canto. Tudo coberto com um cheiro de café quentinho e uma certa baderna na sala, com travesseiros e cobertas.
Mas você tem que se lembrar que o preço do aluguel é me ouvir desabar igual chuvas tropicais: em meio de um calor sentimental imenso, meu dilúvio quase diário de lágrimas. E me ver te perguntando o que você viu em mim, e citando qualquer frase pra no final não lembrar o nome do autor. Me ver insistir que sou uma verdadeira Marla Singer, incorporada dissimuladamente numa jeitinho de Amélie Poulain. Ouvir minhas descrenças incansáveis e ver minhas esperanças transbordarem em um par muito sincero de olhos e o sorriso mais bobo que você talvez já viu. E ter que aturar muitos, muitos abraços vindos sem motivo algum.
Espero um dia que você me aceite. E eu, em meio da minha teimosia fatalista, aceite que encontrei você.