segunda-feira, 9 de setembro de 2013

seu tudo, tudo o que não me deixa em paz...

Eu odeio você por mais de um segundo.
Odeio sua barba. Odeio o jeito que você mexe nela quando está concentrado. Odeio sua risada. Odeio seu jeito intenso de tocar violão. Odeio seus defeitos e suas qualidades. Odeio, principalmente, seu sorriso.
Seu sorriso despretensioso de quem nada quer da vida. Seu sorriso que não me tem, e eu não o tenho. Odeio porque você me desarma. Você me olha e eu tento desviar do seu olhar, cuja tentativa é porque não vejo motivos para me jogar. E ainda quero. Quero me jogar mesmo sabendo que você jamais me seguraria.
E odeio porque estou disposta a não querer nada do amor, nem mesmo migalhas. E você desanima minha disposição. Você me faz sonhar em ficar aninhada nos braços de alguém, mesmo eu tendo gostado de não gostar. Você me dá vontade de empurrá-lo para o nunca mais e acalentá-lo para o sempre. É como se eu apertasse o gatilho contra você rezando para a bala me acertar e não machucá-lo. Eu odeio você inteiro. Inteirinho.
Pelo simples fato d'eu ter todos motivos para odiá-lo, e ainda assim, quero para mim. Em mim.

quarta-feira, 28 de agosto de 2013

Abismo dos olhos teus.

"E amanhã se este chão que eu beijei
For meu leito e perdão
Vou saber que valeu
Delirar e morrer de paixão"

Deixa-me voar, benzinho. Não sou doce como antes, desenvolvi uma diabetes dos demônios. Vomito a cada gesto de amor exagerado, embora eu ainda seja hipérbole. Sou sinédoque. Minha realidade é sinestésica. Minha História é literária. Meu choro é carnaval. Minha felicidade é punk rock. Deixa-me voar. Deixa-me cair no precipício, arrebentar o rosto, sangrar por todo o corpo. Minha segurança é livre. Minha paz é o caos. E no meio do peso, encontrei leveza. E no meio do vento, me descobri pesada. Pesada, irregular, caótica. Deixa-me beijar o abismo que hoje se apresenta em forma de esferas oculares, já que no chão, meu peito arrebenta e quero ver meu coração ser estrangulado. Deixa sangrar, deixa morrer, deixa matar. Deixa viver. Quero meu coração na minha mão, não no meu peito. Corações partidos regeneram. Corações de pedra, no máximo, tornam-se areia. E nessa vida severina, não quero ser uma vida seca.

quarta-feira, 24 de julho de 2013

De hoje em diante.

No meio à chuva, abandono as cartas suicidas e todo o ácido sulfúrico emocional. Recolho os cacos de poesia que cortam minha mão - a mesma mão que derramou meu sangue e enxugou minhas lágrimas - e faço deles uma nova superstição. Superstição de que o sol irá raiar qualquer dia, a chuva será minha amiga e eu serei feliz. Abandonarei o comodismo dos choros incontroláveis, das ameaças suicidas e mágoas despropositais. Porque, no fundo, sei que é cômodo não lutar pelo riso, pela continuação da vida. E desejo abandonar o comodismo do incomodo, desejo sentir o vento e voar com ele.
Sei que vou errar um milhão de vezes, desistir, me atirar no abismo esquecendo das minhas asas, cair ao chão e quase morrer. Mas pelo menos, em cada tentativa minha, eu hei de (sobre)viver.

quarta-feira, 3 de abril de 2013

Hey there Delilah.


Diante de todas as luzes da cidade acesa, a mais bonita é o luar pouco visto. O belo é o vento soprando sobre nossos cabelos sem direção, nos direcionando para toda e qualquer perdição poética da vida. É o grito surdo do silêncio sendo quebrado ao sons das suas risadas, minha vontade imensa de sorrir ao ver você sorrir.
O mais bonito desta noite vista de uma pequena janela, é sentir o vento insano desta cidade e saber que você está nela. Que o mundo fica mais bonito com você nele.
Você, seus livros, seus cigarros, seus bichos. Sua delicadeza tão oposta a todo meu estardalhaço.
Não sei. Estranho escrever textos deste tipo com um cigarro na mão? Se assim for, minha vida é profundamente estranha. Meu jeito bobo de dizer o quanto as pessoas me fazem bem. E eu, eu que prometi para mim mesma que não escreveria uma única linha para você, me vi pegando o papel e a caneta enquanto ouvia Caetano. Então me rendi.

domingo, 31 de março de 2013

Ninguém capitou Capitu.

Perdi o sono. Perdi a hora. Perdi a noção do tempo espaço após olhar para dentro de mim.
 Há tantas essências tão bonitas pelo mundo. Há tantas gargalhadas e silêncios vitais espalhados pela humanidade. Tanta insanidade e tanta pressa que me dá vontade de me jogar no abismo da absoluta loucura que existe no universo. Por isso desejo conhecer todas culturas, todas crenças, todas danças, todos cantos.
 Nunca fui presa em mim. Nunca consegui ser fechada. Sei que existem pessoas que são obras desconhecidas de Almodóvar. Livros nunca escritos de Jack London. Acordes de rock'n roll. Samba de Noel Rosa. Poesia de Vinícius. Traços de Frida Kahlo. Há pessoas que são como palavras bonitas. Doces favoritos. Salgados memoráveis. Destilados envelhecidos. Viagens inesquecíveis. Arquiteturas fantásticas. Existem seres humanos que são como filosofia budista. Coragem anarquista. Pacifismo de Gandhi. Barricadas de Bakunin. Existem pessoas coisificadas em significados maravilhosos, não palpáveis e não esquecidos.
 E eu, oras, eu não me fecho em mim porque sou como uma interrogação sem resposta. A droga de uma interrogação sem resposta!
Como Capitu.

quarta-feira, 27 de março de 2013

Das coisas mais lindas do meu mundo.

Desejo tantas coisas ultimamente. Tantas coisas doces com gosto amargo. Tantas apunhaladas de felicidade no meu peito. Coisas que deixarão saudades antes mesmo de acabarem. Desejo o mal humor repentino de papai. O abraço forte de mamãe. O gosto do vinho barato tomado no meio da rua fria com meu amigo. O cigarro sendo a única coisa quente nos becos daquela cidade tão desgastada. Observar o céu atrás de uma velha trilha de trem. Lamentar melancolias e rir ao mesmo tempo. 
 Desejo dançar na garagem daquela casa em frente ao cemitério. Gritar querendo acordar os mortos. Correr no meio da rua vazia e dançar até meus pés se desequilibrarem com meu corpo jogado em qualquer canto. Tomar cervejas e mais cervejas e querer mais. Esperar a padaria abrir para comprar pão e tomar o café dos meus pais para ir dormir depois. 
 Sair pelo centro que nunca me emocionou e conversar com todos vendedores mais legais das barraquinhas. Sentar com mendigos. Fazer piadas e parecer uma bêbada rindo da cara de uma antiga amiga. Ou não fazer piada alguma e dar gargalhada mesmo assim. Cair em frente de todos. Não me importar. 
 Me importar ao ponto de tocar uma campainha apenas para falar um olá para a vizinha. Tomar Toddynho. Rir durante o dia. Chorar sem motivo algum ao escurecer. Não saber em que casa ir, embora eu tenha minha cama quentinha me esperando. Ser extrovertida sem medo algum de assustar pessoas. Abraçar e beijar todos os amores da minha vida. Sentir medo e proteção.
E ter saudades antes, durante e depois de fazer tudo isso.
E ainda assim, sentir a capacidade de que ainda posso ser muito alegre, apesar de.

terça-feira, 5 de março de 2013

A doença do amor é a lucidez.


Sinto sua falta.
Falta de você e suas atitudes bonitas dos antigos tempos. Necessito urgentemente da droga do meu coração saltando pela boca ao vê-lo se aproximar de mim. Necessito da sua voz me despertando do tédio matinal.
Muito embora, nunca possuímos nada concreto, possuímos? Sempre foi um vai-não-vai, a impossibilidade sem fim. A falta de racionalidade nisso tudo. O mesmo universo que me apresentou à você, me fez ver que nunca nascemos para darmos certo. E ainda assim, sinto saudades.
Escrevi mil cartas de amor terrivelmente estúpidas, com minhas entranhas grudadas em cada palavra. E apesar do mundo inteiro achar estranho e platônico meu amor por você, eu não consigo deixar de senti-lo porque sei que é sincero e bonito; mas não sei até que ponto isso tudo é platônico também.
Nessa madrugada de calor, quilômetros e quilômetros distante de você, sei que posso arranjar algumas pessoas para me casar e me divorciar, para fazer sexo com café da manhã em seguida, para sairmos e jurarmos coisas fofas claramente findas. Posso ser alegre sem você. Mas será algo complicado, você sabe. Beijarei outras bocas imaginando qual a textura da sua língua, abraçarei por muito tempo lembrando do seu abraço, irei acordar de madrugada e querer te encontrar em qualquer bar. Me perguntarei até o fim dos dias qual sentimento você verdadeiramente teve por mim.
E não saberei. Tudo foi muito confuso, muito insano. Uma indecisão que dá vazão para mil e uma interpretações. Ou não. Vai ver sou emocionalmente disléxica tanto quanto sou complicada.
Eu só posso afirmar que essa loucura toda nunca poderá virar nada, porque se nenhuma oportunidade nos restar até o fim da vida, eu ainda posso fazer virar poesia.